Manual Pratico de Sobrevivência Independente


Entrevista: Agnostic Front
May 9, 2009, 6:36 pm
Filed under: Entrevistas

agnosticfront

Como vocês estão? Como se sentem estando vivos e em turnê em 2009?

Vinnie Stigma: É muito bom. Eu continuarei fazendo isso até morrer.

Mesmo depois de todos esses anos você ainda gosta de turnês?

Vinnie: É, nós gostamos. Eu e o Mikey sempre estamos em turnês, amamos isso.

Eu li que 2009 é o aniversário de 10 anos da sua estúdio de tatuagens [NYHC Tattoos], quantas tatuagens vocês tem ao todo como uma banda?

Vinnie: Acho que com a atual formação, mais de cem.

Mike Gallo: é mesmo.

Vinnie: Bem mais que cem.

E elas foram feitas só no seu estúdio ou em outros lugares?

Vinnie: Passamos por várias partes do mundo, mas boa parte delas foram feitas no nosso shop mesmo.

Depois de se dedicar quase uma década a banda, o Steve [Gallo] não está mais com vocês e eu sei que tem muita gente com dúvidas sobre a sua saída. Tem alguma explicação/comentário sobre a saída dele?

Mike: Acho que ele estava cansado de viver na estrada. Ele agora é um professor de música em Nova Iorque.

Então agora o Pokey Mo é quem fica atrás do kit. Pokey, o que você oferece a banda?

Pokey: Acho que acabo trazendo 20 anos de experiência hard core. Toquei na banda Both Worlds com o John Joseph e já participei de alguns shows do Cro-Mag, Murphys Law, Marauder, então acabo trazendo aquele sabor old-school à banda.

Madball e Agnostic Front estarão indo para a América do Sul durante o outono. Com a base de fãs que vocês construíram lá e sua ligação com a comunidade latina que fez com que lançassem inclusive o CD Des Madres, vocês tem altas expectativas para esses show?

Mike: Eu sei que os shows nas cidades grandes já estão com ingressos esgotados, acho que o Freddy vai subir no palco conosco para ‘For My Family’

Vinnie, você também vai subir no palco durante o show do Madball?

Vinnie: Sim, eu vou participar. Vamos nos divertir. O show do Vinnie e Freddy. [Risos]

Vocês também pretendem lançar um CD split em espanhol?

Mike: É, nós vamos fazer ‘For My Family’ em espanhol, e talvez outra música. Ainda não sei o que o Madball vai gravar. Vamos lançar o CD durante a turnê, e primeiro só na America do Sul, depois, quem sabe o CD vai ser lançado aqui.

Vinnie, gostaria de oferecer a você minhas condolências pelo seu candidato a presidência ter perdido, mas os vídeos no youtube foram um grande sucesso, quem teve essa idéia?

Vinnie: Esse cara fantástico foi lá em casa e colocou aquele Green screen. E…eu nem sei como aquilo aconteceu!

Você aceitou o resultado final da eleição numa boa? Quer dizer, poderia ser pior né?

Vinnie: Você sabe, é o que é. Ele é meu presidente, e eu fico ao lado dele.

Vamos falar agora sobre o seu novo trabalho solo, New York Blood. Quem é a banda do CD e nos shows?

Mike: Eu, Vinnie, Josh, Luke, somos a banda. Rob Lopez na guitarra, essa é a formação atual para shows. Tocamos já com Dropkick Murphys, H2O em alguns lugares.

Vinnie: Nosso show de lançamento foi há uns 30 dias atrás, então é um disco bem novo, estamos trazendo músicas inéditas a cena. E já temos metade do próximo CD escrito.

Faz tempo que você está trabalhando no New York Blood?

Vinnie: Quando você faz um disco solo, é completamente diferente. Agnostic Front é a minha banda, e ai a gente acabou indo fazer solo, eu e o Mikey, e só agora estamos começando a lançar nossos trabalhos. Se é pra fazer, vamos fazer direito.

Fiquei sabendo que você também atuou recentemente.

Vinie: É eu tenho um novo filme chamado ‘New York Blood’. O Mikey está nele, e vários outros amigos meus. É como se fosse um filme de terror dos Sopranos. Ganhou o prêmio do Festival de Filmes de Nova Iorque. Tem uma hora de duração e é um filme mesmo, não um documentário. Se você gosta de filmes de gangsters, você vai gostar do meu filme.

O filme já foi lançado?

Vinnie: Sim, ele já pode ser comprado no Amazon.com

Você se lembra de alguma coisa que aconteceu no programa do Phil Donahue em 1996?

Vinnie: Eu lembro que ele queria insinuar algumas coisas pra conseguir audiência.

É, eu lembro dele falando que estava chateado por causa da música ‘Public Assistance’, mesmo que a banda já tinha lançado outras como ‘Facist Attitudes’, ‘United and Strong’…

Vinnie: ‘United Blood’ também!

É! Músicas anti-racismo, anti-fascismo… Ele estava tentando criar controvérsia mesmo?

Mike: É isso que a mídia faz né. É o trabalho deles, então tem que fazer. Eles acabam desproporcionando tudo, até o tempo. Eles falam que você vai ter 20 cm de neve e na verdade caí só 2.

Mesmo com a diversidade etino-cultural da banda, vocês tem alguma idéia do por que neo-nazistas e integrantes de grupos racistas como White Pride gostam do Agnostic Front?

Pokey: Eu não faço idéia. Você realmente tem que perguntar a eles. Nunca fizemos parte de grupos desses, e a nossa mensagem como uma banda é de união. Acho que o que a gente vê hoje são pessoas que pegaram mensagens dos primeiros discos e distorceram elas para concordarem com suas ideologias. Nos anos 80 crescer em Nova Iorque era outra coisa, tinha pessoas que queriam pregar contra todo tipo de discriminação. Todos eram contra o Reagan, mas alguns de nós não nos importávamos com o sentimento anti-americano e queríamos transformar o país em um lugar melhor. E algumas pessoas usaram isso e transformaram em um extremo nacionalismo, de ultra-direita. Todas as bandas de hardcore de Nova Iorque se conhecem e tocam juntas, então a união é algo muito importante para nós.

Vocês sempre foram muito versáteis com seu som. Com a Epitaph e o Lars Frederiksen tinham um som mais ‘hardcore oi!’, já com Freedy Cricien e Jamey Jasta que produziram seus últimos dois trabalhos a sonoridade tinha um estilo ‘mais hardcore metallico’. O que influência nos trabalhos Agnostic Front? Como decidem que decisão tomar sobre a sonoridade de um álbum?

Mike: Basicamente, é o que a gente está escutando no momento, ou o que der vontade de fazer.

Vinnie: Diferentes integrantes, diferentes mudanças, a gente acaba mudando por causa disso também.

Mike: Colocamos apenas o que amamos, seja punk, metal, hardcore, oi!, seja o que for. É basicamente o que temos feito esses dias. O que estamos sentindo, o que achamos ser certo, é isso que fazemos hoje em dia.

Warriors foi o título do seu último CD, vocês são fãs do filme ‘The Warriors’? (‘os Selvagens da noite’)

Mike: Claro!

O filme serviu de tema para o álbum?

Joseph James: não, o que aconteceu na verdade foi que a gente acabou indo para o Japão, e acabamos tendo um contato direto com a cultura, e o sentimento que a gente obteve em geral do pessoal que conhecemos foi honra, orgulho e respeito pelo que fazem, e isso fez a gente pensar no ‘código dos guerreiros’ que é orgulho, fé, respeito, isso foi a real influência do CD Warriors, no final foi uma coincidência nominal.

Ainda sobre o filme, eu vi que eles estão re-gravando ele, mas as filmagens serão em Los Angeles, vocês ficam ofendidos de não serem em Nova Iorque igual no original?

Joseph: Com certeza! [risos]

Vinnie: Eles não tem estações de trem tão sujas em Los Angeles.

Mike: Ninguem tem idéias novas mais, tudo é re-feito. É perturbador pra mim, por que esses são filmes clássicos não precisam ser re-feitos. É como pegar um CD clássico e regravá-lo. Perde um pouco da mágica dele.

Vinnie: Como fizeram com ‘The Honeymooners’!

Mike: Quantos filmes você consegue afirmar que foram re-feitos e ficaram melhores? ‘Cape Fear’ foi bom… mas não se deve mexer com os originais.

Vocês já começaram a trabalhar no sucessor do Warriors?

Mike: Estamos fazendo isso agora. Por enquanto só escrevendo. Por causa do nosso novo baterista acabamos indo com mais calma, mas vamos voltar a compor assim que voltarmos pra casa.

Mais alguma coisa a acrescentar?

Joseph: muito obrigado pelo apoio que vocês tem dado ao Agnostic Front. Nossos corações ainda estão focados na cena e temos orgulho disso, esperamos ver vocês no próximo show.

Vinnie: Comparecam no show do Stigma com o Mikey e eu, vai ser bem legal. Vamos voltar aqui com Anti-Nowhere League e 999 em Julho, e você também pode estar no meu filme. [risos]

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